Projeto Rain

Ventos do sul

Fico imaginando um mundo.

Mas que mundo, se o que vejo sempre são tantas mentiras.

Tento imaginar um mundo de pessoas alegres, sinceras e olhares de esperança.

Mas para que esperança, se este mundo que imagino é utópico?

Alguém chora do lado de fora. Ou será dentro de mim?

Uma canção de ninar ao longe. Uma chuva lava meu corpo.

Ventos vem do sul.

Danço ao som de uma música que não sei de onde vem.

Rodopio e sinto o chão molhado frio aos meus pés.

Minha alma clama. A chama não se apaga.

Lave minhas lágrimas… lave meu corpo.

Rasgo minha camisa, deixo as gotas escorrerem pelo meu corpo.

Meu coração bate? Porque não posso abrir os olhos?

Tenho medo do que verei, ou apenas não quero enchergar?

Não é tudo a mesma coisa?

A canção continua. Um ritimo que me mantém a sonhar com um mundo melhor.

De onde vim? Para onde vou?

Porque me sinto sozinho… é a resposta.

Onde você está agora?

Não me deixe sozinho aqui com os ventos do sul.

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Porcelana

Caminho por ruas tortuosas ou eu que estou torto?

Nuvens e gotas molham o meu rosto. Ou serão lágrimas que me cegam?

Barulhos de passos ao longe, mas sei que são os ecos de meus pés.

Estou sozinho nos meus sonhos e estou solitário quando acordo.

Em meus sonhos estou morrendo o tempo todo e quando abro meus olhos, vejo que realmente morri.

Não queria ter morrido, ou será que escolhi?

Agora estou com a cabeça perdida. Quero procurá-la, mas como se não sei onde ela está?

Tateio o nada e o nada me retorna. Ou assim penso.

Mas como posso pensar, se em meus sonhos estou morrendo e minha cabeça está perdida?

Acho que não perdi minha cabeça. Estou apenas confuso.

Isto é um sonho? Se for, é apenas um pesadelo.

Então vou me sentar ali, naquele cantinho e aguardar… aguardar que alguém me acorde.

E a pergunta ao me sentar e levantar minha cabeça é…

Por que me sinto tão mal?

Por que meu coração se sente tão mal?

Por que minha alma está tão triste?

Vejo portas abertas, mas tenho medo de entrar.

As portas estão abertas… mas por que meu coração se sente tão mal?

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A lira de Orfeu… o sonho de Morfeu

A lira

Meus olhos estão tristes. Meu corpo está cansado.

Queria tanto lhe falar, mas a voz não sai mais. Gritei pela noite na esperança que você me ouvisse.

Mas nem o eco trouxe minha voz de volta.

Dizem que quando desejamos algo profundamente, muito forte, nada no mundo poderá se impor contra isso.

Então por que minha voz não chegou até você? Por que o mundo não te fez escutar?

Será que você pensa em mim? Será que realmente…

Quantos pecados cometi para continuar a ter que pagá-los? Quantas noites terei que sofrer no silêncio com este aperto no peito?

Doi cada noite sem o seu olhar. Doi cada noite não ter o seu sorriso a me iluminar.

Não sentir seu doce perfume e não escutar a sua voz.

Ver amantes sorrindo… como fico louco de raiva de não poder te-la e faze-la feliz…

Mas pelo menos os amantes estão ali, para me lembrar de doces encantos. E me lembrar que o amor é algo que não posso controlar.

Sinto saudades… agora é hora de repousar. E saber… será que irei acordar?

Mas sempre saiba, que se seguir nos braços de Morfeu, escutando a doce lira de Orfeu… feliz darei minha moeda, que é minha vida para Caronte.

Pois posso ter apenas passado por este mundo… mas tentei vive-lo cada noite com você. E você me fez mais feliz, do que possa ter imaginado…

O sonho

E dei-me conta que a noite não passava.

E que estranhos vultos dançavam a minha frente.

Todos aos pares, somente eu sozinho.

Na frente, a morte me contemplava.

Era minha hora, ou apenas sonhava?

Morfeu materializava-se e com um sorriso apenas me olhava.

A lira de Orfeu era doce… uma melodia que pedia que dormisse.

E o baile continuava. E a morte era sua regente.

Laços brancos, negros… vestidos que mudavam de cor.

Não via rostos… afinal este mundo era de quem?

Me responda Morfeu.

Este sonho realmente é meu? Ou um pesadelo teu?

Como saber se estou no reino dos sonhos ou cheguei no da loucura?

E se estou louco, porque a lira me entristece?

Não deveria estar hilariante com tamanha loucura?

E o baile continua… e a música… apenas a música…

Me leve para outro lugar minha donzela. Aceito seus lábios, mesmo frios…

Seu abraço apertado que irá me libertar.

Oh Morfeu… por que? Por que me faz recordar?

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Caronte

Caronte (em grego, Χάρων — o brilho) era uma figura mitológica do mundo inferior grego (o Hades) que transportava os recém-mortos na sua barca através do Aqueronte, rio que delimitava a região infernal, até o local no Hades que lhes era destinado.

Vejo o barco chegar, cada vez mais perto. Deveria ser uma figura sinistra, me colocar medo, mas não é assim que o vejo. O rio está silencioso, tranquilo. Pensei que sentiria o cheiro de coisas podres, veria a putrefação neste lugar.

Mas só o que vejo é uma figura como eu, solitária remando com um rumo certo e ao mesmo tempo incerto.

A certeza é que chegará neste lado e irá me levar até o outro lado. E a incerteza é saber quem será o próximo que deverá encaminhar por este rio.

Será que traz a moeda? Se não trazer, para ele só existirá o não te levarei. Este é o preço para atravessar o rio.

Uma pequena moeda de ouro, nada mais.

E assim eu vejo um mundo sépia, um universo sem cheiro e silencioso. Assim é a morte? Ou assim foi minha vida?

Será que vivi por tempo demais?

Não sei. Apenas sei que no mundo existem aqueles que amam demais ou de menos. Aqueles que se entregam totalmente e outros não.

De que lado ficamos? Como saber se amei demais ou de menos?

Não sei. Não sei se devo continuar ou ficar. Se devo ficar ou partir.

Parecem coisas iguais, mas não o são. Estou cansado. Faz muito tempo que minha alma está cansada. Que o corpo e a mente chegaram em um sincronismo de abandono.

Queria que as coisas fossem diferente. Mas estou acostumado a não ter o que quero. Afinal, assim é o mundo. Não podemos ter o que queremos e desejamos.

Tudo neste univeso é livre. E assim deve ser.

Como chega, ele se vai. Na liberdade. E no final, para mim, só resta ficar aqui sentado olhando o barqueiro, aguardando o dia que terei a coragem de lhe entregar a minha moeda.

Meu último fio de esperança. Pois um dia cansamos. Cansamos e desistimos.

Dizem que para sermos respeitados e amados, devemos lutar e sermos fortes. Mas isto somente quando temos alguém que nos de esta força.

E sentado aqui, olhando o barqueiro passar, vejo que todos que seguem em seu barco vieram sozinhos.

Ninguém vai embora junto de ninguém. Não existem despedidas. Apenas se vão.

Não dá para dizer o último adeus, pedir perdão, perdoar ou desejar uma vida maravilhosa.

Não, não dá. Vamos no silêncio, sem ver rostos ou saber o que existirá do outro lado.

E assim continuo aqui, olhando para este ser tão misterioso e ao mesmo tempo tão conhecido, apenas esperando por minha coragem ou covardia de também seguir por este rio.

Conto antigo, de 2007 para o Contos de Yor.

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Poderia?

Poderia viver sem sua voz?

Poderia viver sem seu sorriso?

Em algum momento poderia simplesmente pensar em viver em um mundo sem você?

Não ver mais o modo como você brinca, como a luz ilumina seu rosto?

Como sobreviver sem a pessoa que te apoia, aquela que enxerga o melhor em mim?

Como um homem pode viver sem a mulher que simplesmente está ao seu lado?

Viver sem os sonhos que alguém te ajuda a acreditar e que os torna reais…

Um homem só é abençoado quando é amado. Todo o restante são apenas palavras…

Saber que pode retornar e ter quem te espera, uma luz que irá iluminar a escuridão com a chama do seu amor.

Só podemos ser melhores, porque alguém simplesmente… nos ama.

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Always

This Romeo is bleeding
But you can’t see his blood
It’s nothing but some feelings
That this old dog kicked up

It’s been raining since you left me
Now I’m drowning in the flood
You see I’ve always been a fighter
But without you I give up

Now I can’t sing a love song
Like the way it’s meant to be
Well I guess I’m not that good anymore
But baby that’s just me

And I will love you baby always
And I’ll be there forever and a day always
I’ll be there till the stars don’t shine
Till the heavens burst and the words don’t rhyme
And I know when I die you’ll be on my mind
And I’ll love you always

Now your pictures that you left behind
Are just memories of a different life
Some that made us laugh
Some that made us cry
One that made you have to say good bye

What I’d give to run my fingers through your hair
To touch your lips to hold you near
When you say your prayers try to understand
I’ve made mistakes I’m just a man

When he holds you close
When he pulls you near
When he says the words
You’ve been needing to hear
I’ll wish I was him cause these words are mine
To say to you till the end of time

And I will love you baby always
And I’ll be there forever and a day always
If you told me to cry for you I could
If you told me to die for you I would
Take a look at my face
There’s no price I won’t pay
To say these words to you

Well there ain’t no luck in this loaded dice
But baby if you give me just one more try
We can pack up our old dreams and our old lives
We’ll find a place where the sun still shines

And I will love you baby always
And I’ll be there forever and a day always
I’ll be there till the stars don’t shine
Till the heavens burst and the words don’t rhyme
And I know when I die you’ll be on my mind
And I’ll love you always

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Diário de viagem – MG

Noite escura. Pista molhada. Sensação de ser hipnotizado pela estrada.

Luzes fantasmagóricas que vem do lado contrário. Parecem te atrair para elas. O limpa brisa de um lado para o outro ajuda ainda mais no torpor.

É tão simples pisar mais fundo no acelerador e deixar-se guiar pelo desconhecido.

Abro a janela e o vento gelado da noite invade. Retira pensamentos que ficaram para trás. De noites mal dormidas e dias que pediam para relaxar.

A vida é um eterno contraste. No horizonte o céu começa a ficar vermelho. Com a chegada do sol, está também meu destino.

Encosto o carro no posto de gasolina. O cheiro do café da manhã é uma tentação. Assim como o aroma da terra úmida e o capim cortado recentemente.

Peço um expresso para uma moça que me sorri. Educadamente sua mão encosta na minha. Devolvo um sorriso e ela me pergunta se desejo mais alguma coisa. Apenas um pão com manteiga na chapa, que ela mesma prepara.

Como meu café enquanto ela conta coisas sobre ela. Apenas a observo e vejo como mexe os braços, os olhos que brilham com esperanças de um futuro que ela parece ver. E ela realmente o vê.

Mas em um determinado ponto, alguém a chama e seus olhos ficam tristes. Ela pede desculpas e vai atender outra pessoa.

Vou embora e digo um “até logo”, que sei que não irá se concretizar. Um sorriso amarelo sai de sua boca com um “volte sempre”.

Sabemos que são cordialidades. Para ela poderia ter sido uma oportunidade. Para mim foi o de conhecer uma nova pessoa.

Sigo meu caminho e ao meu destino. O tempo é meu inimigo. Encontro com quem preciso, conversamos rápido sobre o que é necessário.

Retiro fotos, pego um computador e olho os documentos que me são entregues. Jogo na parte de trás do carro.

Ligo o motor e ele me responde. Hora de voltar.

A manhã é nublada. A promessa de um dia claro parece que não irá se concretizar. Assim também é com a vida.

Podemos ver um novo dia que irá nascer, com muita luz e calor humano, para se mostrar um dia nublado, com muitas nuvens, que nos farão sentir frio.

Este é o lado negativo. Mas também temos o positivo.

Passo novamente no posto de gasolina. Não vejo a garota que estava lá horas antes. Compro alguns pães de queijo. E quando saio ela está do lado de fora. Cabelos negros soltos. Um sorriso de é bom reve-lo.

Devolvo o sorriso e resolvo perguntar seu nome. Luana.

Brinco, “como a lua?”. Ela sorri e diz, “todos falam isso”. Mas pelo visto o meu foi melhor.

Converso com ela, sempre deixando claro minhas intenções. Apenas conversar, mais nada.

Depois de quase uma hora, ela segue o caminho dela e eu o meu. Vou tranquilo e feliz. Ela um pouco decepcionada.

Não comigo. Mas porque para ela seus dias são sempre iguais.

Interessante que ela me contou tantas coisas e nem ao menos percebeu que seus dias não são iguais. Apenas ela que os torna assim.

Volto para a cidade. Para alguns o inferno, para outros o verdadeiro céu. Não sei dizer. Sei apenas que é local onde vivo e sobrevivo a cada dia.

Um dia ele é nosso paraíso, no outro o nosso verdadeiro inferno.

Chego onde preciso e vou aonde sou necessário. E daqui a pouco, viajo novamente para outra direção.

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Você já amou?

Antes de exigir, você já conseguiu amar?

Sabe o que é realmente amar uma mulher?

Ter alguém uma mulher que quisesse rasgar sua camisa, que já estivesse pronta para você antes mesmo de retirar sua roupa?

Ter seus lábios colados, e se assustar com seu beijo e a necessidade de ar?

Ver o olhar dela de desejo e pecado só de estar com você…

Antes de querer vencer uma luta, de chorar horas de noite, sorrir como um louco apaixonado, saiba o que é amar uma mulher.

Você precisa amar uma mulher para saber que a vida tem uma razão. Que preciso de dois corações de um lado.

Que quando estiver sozinho e não ninguém mais para compartilhar sua dor, você poderá com certeza enfrentar os demônios e dividir o sol, porque você já ama alguém.

Somente assim saberá que quando ama uma mulher, não existem regras para serem seguidas, que todas as leis foram feitas para serem quebradas.

Porque realmente, eu amo uma mulher.

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Passado

Passado que vez praticamente sempre nos volta.

Assim como o mundo é redondo, tudo volta. Algumas coisas do passado devem mais do que serem esquecidas.

Algumas pessoas, alguns fatos, até mesmo algumas felicidades.

E outras, como as palavras, soam como lembranças doces e amargas.

De qualquer forma, o passado tem gosto amargo. E deixa um tom doce para o que posso comer amanhã.

Então resolvi re-postar alguns contos do Projeto Rain que estavam no Trilha Sonora.

Escrever é algo meu. Não escrevo para outros. Escrevo para mim.

Uma forma de libertação. De se livrar de algumas amarras do dia-a-dia.

De se soltar, de ser um personagem ou criador de minhas próprias histórias, de minha própria vida.

Ou será que não?

A escolha afinal, é sempre minha.

Sobre a escolha do nome do blog

Vivendo no Limite foi o nome do meu primeiro Blog em 2003. Época do nascimento do blogger, blogspot e tantos outros.

Boa época quando saíamos com os amigos e qualquer besteira que fazíamos “ia para o blog”.

Quantas vezes saíamos, eu, Kaiser, Átila, Salgado, Renato e outras pessoas e o Kaiser teimava em errar o caminho no shopping, em fazer o caminho mais longo para subir uma escada rolante e caíamos na risada e em coro “vai pro blog”.

E naquele mesmo dia os posts estavam lá. E com a famosa caixinha de recados.

Uma época mais ingênua? Não.

Não existem épocas ingênuas e sim pessoas com pensamentos novos.

Com o tempo alguns se afastam, novos aparecem e outros continuam conosco.

O mundo não muda. Nós o mudamos. Ele continua no mesmo lugar.

Nós que derrubamos as árvores e dizemos que ele mudou.

Quem muda realmente? O que muda realmente?

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Você perdeu aquele sentimento…

Postado em 05/10/2010


Parece que o sentimento se foi. Ontem você era sorrisos, brilho radiante, o sol que me aquecia.

Hoje, somente sombras e chuva.

Você perdeu aquele sentimento. De me olhar dentro de minha alma.

Você perdeu aquela chama. Culpa minha? Se for, por favor, retorne.

Não deixe o sentimento acabar por picuinhas e bobeiras de quem sou.

Eu preciso de você, eu quero você! Como poemas de crianças, você é meu ar, meu alimento. Meu sol…

Não posso continuar sem seu afeto. Sem seus carinhos na noite e seus sorrisos na manhã.

Vou gritar, vou implorar. É isto o que quer? É o que deseja? Serei mais do que quer, mais do que precisar.

Apenas me dê aquele sentimento. Pelo menos um sorriso.

Porque ele se foi… e não quero que seja para sempre.

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