Arquivo do mês: fevereiro 2011

Cansado

Faz tempo que não escrevo. Escrever faz parte do escritor, do estado da alma, segundo alguns poetas.

Mas não sou poeta e muito menos um escritor. Apenas rabisco na tela palavras mal escritas.

De qualquer maneira, meu estado de espírito anda sendo de vazio, então, acho, que fica complicado escrever alguma palavra.

Não tenho tristeza, muito menos alegria. O que tenho é apenas um vazio, um cansaço que me leva para cama e não me deixa acordar.

Passo algumas noites sonhando com uma fada, uma luz que me aquece.

Em outras, apenas o pesadelo da solidão.

Cansado, o guerreiro sonhador…

Quer agora, repousar.

Trecho de uma música antiga e que sempre me deu muito sentido.

Estou cansado, todos estamos cansados. Queria apenas uma cama para repousar. Encostar minha cabeça e esquecer que o mundo existe.

Queria o aconchego de lábios para me perder, de olhos para me aquecer. De mãos para me lembrar que ainda existo.

Pedaços de palavras sem sentido. Apenas estou cansado e vou dormir.

Anúncios
Categorias: Trilhas | Deixe um comentário

Bushido

O Bushido (bushi = guerreiro, do = caminho), o código de honra e ética do guerreiro samurai, despertou o interesse de muita gente, em 2004, sobretudo, com o lançamento do filme “O Último Samurai” que mostra o astro Tom Cruise no papel de um militar americano cuja vida muda ao conhecer os samurais e o Bushido.

O Bushido surgiu e se consolidou juntamente com a história dos samurais, durante os períodos Heian a Tokugawa. As principais virtudes do Bushido são Justiça (GI), Coragem (YUU), Benevolência (JIN), Educação (REI), Sinceridade (MAKOTO), Honra (MEIYO) e Lealdade (CHUUGI). É natural, em um tempo e sociedade tão carentes de valores como estes no qual vivemos, que o Bushido chame a atenção. Seus valores atemporais trazem uma clara noção entre certo e errado, acrescentando mais importância e ideal à vida das pessoas.

Sua origem está ligada fundamentalmente ao Budismo, ao Xintoísmo e ao Confucionismo. Do Budismo, o Bushido herdou a coragem ao se encarar a morte e o desapego pelas questões materiais. Do Confucionismo vem a lealdade ao senhor feudal, a relação com a sociedade e a importância do nome da família. Dentro do Bushido, as linhas gerais que regem as mais variadas relações entre as pessoas, por exemplo, Mestre e Discípulo, Sempai e Kohai, pai e filho, irmão mais velho e mais novo, marido e mulher também possuem raízes no Confucionismo. Do Shintoismo trouxe o respeito para com a terra, com o feudo e a estima pela essência, o espírito, que há em tudo, desde as pessoas aos lugares, as espadas e os demais utensílios dos samurais.

Para o Samurai era preferível a morte à desonra. A desonra era uma mancha que marcava toda a família. Esta era uma vergonha que nenhum samurai conseguia suportar.

Uma das obras mais importantes sobre o Bushido é o Hagakure – “Folhas Ocultas” – escrito por Yamamoto Tsunetomo, um samurai da província de Saga, no Século XVII. A aceitação resoluta da morte fica clara no trecho: “O Bushido implica em escolher sempre a morte quando houver a possibilidade de escolha entre viver e morrer”

O grande samurai Miyamoto Musashi Sensei (宮本 武蔵) (1584-1645), inspirador do Instituto Niten e fundador do estilo praticado na entidade, escreveu em sua obra, o Livro dos Cinco Anéis (Gorin No Sho – 五輪書): “O Caminho do Guerreiro é a aceitação resoluta da morte“. Isto resume o sentimento do samurai em relação ao Bushido. A vida tem um valor imensurável, porém mesmo esta é deixada de lado em face de valores ainda maiores.

O Bushido Hoje

Dois séculos após o fim dos samurais como classe social, o Bushido permanece vivo na cultura japonesa. Isto se deve aos nove séculos em que o Japão teve nestes valores a base para todas as relações humanas.

O prejuízo causado à população japonesa após a Segunda Guerra Mundial foi incrivelmente superado em pouco tempo. O país passou de nação derrotada a potência mundial em apenas 30 anos. Essa recuperação foi diretamente influenciada pelo Bushido.

Apesar destes valores estarem hoje atenuados na sociedade japonesa e muitas das novas gerações acreditarem que são valores pertencentes ao passado, há lugares onde o Bushido mantém sua forma próxima à original. Estes lugares são os tradicionais dojos de Kobudo.

Kobudo é como são denominados os estilos de combate criados antes de 1868, o ano da restauração Meiji, que marcou o fim dos samurais como classe poucos anos depois.

Nestes dojos sobrevivem, de fato, os últimos samurais. Pessoas que cultivam, em pleno século XXI, o modo de vida dos guerreiros que fizeram da honra e da ética os instrumentos para governar uma nação.

Categorias: Trilhas | Deixe um comentário

Não é fácil

Categorias: Trilhas | Deixe um comentário

Diário de Viagem: O baile

É isso aí! Sem delongas.

Campinas, noite. Nem ao menos pensava em ir para o baile. Para ser mais exato, um live de Vampiro A Máscara.

Para quem não conhece o termo, resumidamente, é um RPG (Rolling Playing Game), com o tema Vampiro. Neste caso em vez do famoso tabuleiro, o jogo é ao vivo, onde interpretamos nossos personagens.

O live costuma ser bom… às vezes é punk. Mas depende de com quem você joga e o grupo. Neste caso, o live foi mestrado pelo Faust. O sítio é dele também. Desde a manhã alguns já estavam por lá preparando todo o enredo, que foi  – e ainda é já que não acabou e vai até amanhã às 5h -, O Conselho.

Os clãs foram convidados a participarem de um baile, onde um traídor da raça será exposto e julgado. Eu pertenço aos Brujahs. Existem os Ventrue, Toreador, Malkalvianos, Nosferatu, Lasombra e Capadócio. Se esqueci algum, desculpem.

Cada um tem seu poder e sua fraqueza. Gosto dos Brujahs, pois antigamente eles eram nobres e hoje nada mais passam do que anarquistas. Mais fácil interpretar.

Chegando ao sítio, tudo pronto. Logo na entrada peguei minha máscara, meu número e um número. Este número era para procurar minha parceira de noite. Aquela que foi escolhida para ser minha (rs). É interessante pois acabamos conhecendo novas pessoas e evita-se a panelinha.

Consegui encontrar rapidamente minha parceira, uma Toreador. Vale destacar que nenhum clã se dá bem, por isso, não é simplesmente ir chegando e “oi”. Existe todo um conflito, toda uma discussão. Preciso conquistar minha parceira e ela fazer o mesmo comigo. A conquista não amorosa, mas de confiança. E por incrível que pareça, na hora da luta, todos adoram ter um Brujah do lado.

Felizmente, esta Toreador, Karin, foi fácil de ser manipulada e tornou-se um doce mel para o que pretendia na noite. Calma, não levem para o outro lado. Jogar live não é sexo. É política, é sociadade, é elevar ao máximo a estupidez humana, mostrar e explorar as falhas. E se você bobear, realmente fica a mercê do outro jogador.

Karin além de ser volúvel, como toda Toreador (para um Brujah todos os clãs são voluveis rs), ela mostrou-se forte em utilizar sua sensualidade. Bem, aí sim vale, menos toques ou sair tirando a roupa. Existe toda uma regra. Está certo que alguns casais acabam querendo se conhecer um pouco mais, mas daí é outra história, outro jogo e um local propício para isso.

Devido a minha escolha de última hora em ir para o live, acabei virando um NPC, assim como minha companheira de noite. Uma linda ruiva com seus 1.70, olhos verdes, magra, com um padrão para modelo. E inteligente. Não podemos nos conhecer, esta é uma das regras neste live do Faust. Nem os nomes são reais. Mas caso alguém queira falar um pouco mais de si, ninguém irá impedir, mas irá perder todo o jogo.

Acabei descobrindo que minha companheira mora em São Paulo, por que será?, até próxima a mim e faz faculdade de comunicação. E tem 24 anos.

E é nova no jogo. Isso era perceptível, já que a maioria dos jogadores no lugar tinha mais de 30. Acabamos descobrindo sem querer o traídor. Em uma de nossas saídas para ela pegar uma bebida – destaco e friso, ninguém pode ultrapassar do ponto se não é expulso do lugar -, escutamos um Ventrue conversando com sua companheira sobre o assunto e como ganhou seus pontos negros. Gracias idiota arrogante com boca grande.

Foi apenas procurar nosso anfitrião e… ficar quieto, já que somos NPC (non player character), e apenas dar umas boas risadas com Faust. Acabamos soltando algumas dicas ali e aqui e finalmente alguém “conseguiu” captar nossa mensagem. Aleluia pois já era hora de eu ir embora. Afinal, trabalho no outro dia!

A festa foi bacana, o baile de máscaras muito divertido. Karin mostrou-se uma ótima dançarina de valsa. E uma pessoa prazerosa de se falar. É dificil às vezes conseguir um bom parceiro para um live. Já tive alguns que é melhor nem falar.

Faust contratou alguns bartenders, que fizeram uma aprensentação de tirar o folego. E lógico, que todos ajudaram a pagar. Cada um deu uma quantia para este live, com recibo e resumo do que foi feito.

Infelizmente, tudo que é bom dura pouco. Fazia anos que não jogava um live. Deu para brincar e “matar” alguns inimigos durante a noite, dar muita risada com as interpretações e modismos de cada personagem.

Mesmo sendo um NPC, pudemos matar outros NPCs. E quase morremos algumas vezes. Felizmente, este velho Brujah ainda está em forma.

Agora é hora de descansar. O dia foi corrido. As aulas foram fantásticas! Já faz um tempo que não tenho turmas tão intusiasmadas, ou eu que estava? Pode ser as duas coisas. De qualquer forma, tenho uma aluna libanesa que é uma gracinha. Ela tem 10 anos agora. Pequeninha e super educada!

Acabei esbarrando com ela e a irmã no almoço. A irmã dela, mais velha, também é minha aluna de dia de semana. As duas estavam lá sozinhas. Tinham ido fazer compras e depois iam para a aula.

Fiquei lá dando muitas risadas com elas. Depois me aparece uma amiga, a Paula, com a prima. Juntamos cadeiras e rimos mais um pouco. É bom rever amigos e fazer novos amigos. Mesmo que eles sejem nossos alunos. Sempre temos boas histórias para ouvirmos.

E por hoje é só pe pe pessoal.

Categorias: Trilhas | 1 Comentário

Diário de viagem – MG

Noite escura. Pista molhada. Sensação de ser hipnotizado pela estrada.

Luzes fantasmagóricas que vem do lado contrário. Parecem te atrair para elas. O limpa brisa de um lado para o outro ajuda ainda mais no torpor.

É tão simples pisar mais fundo no acelerador e deixar-se guiar pelo desconhecido.

Abro a janela e o vento gelado da noite invade. Retira pensamentos que ficaram para trás. De noites mal dormidas e dias que pediam para relaxar.

A vida é um eterno contraste. No horizonte o céu começa a ficar vermelho. Com a chegada do sol, está também meu destino.

Encosto o carro no posto de gasolina. O cheiro do café da manhã é uma tentação. Assim como o aroma da terra úmida e o capim cortado recentemente.

Peço um expresso para uma moça que me sorri. Educadamente sua mão encosta na minha. Devolvo um sorriso e ela me pergunta se desejo mais alguma coisa. Apenas um pão com manteiga na chapa, que ela mesma prepara.

Como meu café enquanto ela conta coisas sobre ela. Apenas a observo e vejo como mexe os braços, os olhos que brilham com esperanças de um futuro que ela parece ver. E ela realmente o vê.

Mas em um determinado ponto, alguém a chama e seus olhos ficam tristes. Ela pede desculpas e vai atender outra pessoa.

Vou embora e digo um “até logo”, que sei que não irá se concretizar. Um sorriso amarelo sai de sua boca com um “volte sempre”.

Sabemos que são cordialidades. Para ela poderia ter sido uma oportunidade. Para mim foi o de conhecer uma nova pessoa.

Sigo meu caminho e ao meu destino. O tempo é meu inimigo. Encontro com quem preciso, conversamos rápido sobre o que é necessário.

Retiro fotos, pego um computador e olho os documentos que me são entregues. Jogo na parte de trás do carro.

Ligo o motor e ele me responde. Hora de voltar.

A manhã é nublada. A promessa de um dia claro parece que não irá se concretizar. Assim também é com a vida.

Podemos ver um novo dia que irá nascer, com muita luz e calor humano, para se mostrar um dia nublado, com muitas nuvens, que nos farão sentir frio.

Este é o lado negativo. Mas também temos o positivo.

Passo novamente no posto de gasolina. Não vejo a garota que estava lá horas antes. Compro alguns pães de queijo. E quando saio ela está do lado de fora. Cabelos negros soltos. Um sorriso de é bom reve-lo.

Devolvo o sorriso e resolvo perguntar seu nome. Luana.

Brinco, “como a lua?”. Ela sorri e diz, “todos falam isso”. Mas pelo visto o meu foi melhor.

Converso com ela, sempre deixando claro minhas intenções. Apenas conversar, mais nada.

Depois de quase uma hora, ela segue o caminho dela e eu o meu. Vou tranquilo e feliz. Ela um pouco decepcionada.

Não comigo. Mas porque para ela seus dias são sempre iguais.

Interessante que ela me contou tantas coisas e nem ao menos percebeu que seus dias não são iguais. Apenas ela que os torna assim.

Volto para a cidade. Para alguns o inferno, para outros o verdadeiro céu. Não sei dizer. Sei apenas que é local onde vivo e sobrevivo a cada dia.

Um dia ele é nosso paraíso, no outro o nosso verdadeiro inferno.

Chego onde preciso e vou aonde sou necessário. E daqui a pouco, viajo novamente para outra direção.

Categorias: Projeto Rain | 1 Comentário

Blog no WordPress.com.